Os 13 Porquês, Jay Asher

꒰๑'ꀾ'๑꒱Esse livro, por causa da adaptação, está tomando conta das redes sociais ultimamente e, mesmo não tendo o costume de ler livros quando estão sendo muito comentados (acaba estragando qualquer surpresa ver um livro ser mencionado em cada canto da internet), aproveitei essa divulgação toda para lê-lo logo (fazia algum tempo que eu pretendia, porém sempre me esquecia). Então, depois de muito custo consegui finalizar a leitura.

Informações:
Título:                       Os 13 Porquês, Jay Asher
Gênero:                     Ficção, Suspense e Mistério
Editora:                    Ática
Ano:                          2009
Páginas:                    253
Autor:                       Jay Asher
Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

De forma rápida (porque todo mundo já sabe, pelo menos um pouco, sobre o que Os 13 Porquês se trata HAHA), esse livro traz Clay Jensen, um estudante que um dia encontra em sua casa uma encomenda sem remetente, destinada a ele. Nela contém uma caixa com várias fitas cassete gravadas por Hannah Baker, sua colega que se suicidou há algum tempo, que pretende contar às pessoas, que deverão receber as fitas para escutar, como elas implicaram em sua decisão.
Começarei comentando sobre o formato do livro, que é realmente interessante. Acompanhamos o ponto de vista de Clay enquanto ele ouve as fitas de Hannah, tudo bem delimitado e que contribui para uma experiência bem legal. Agora, sobre a estória em si...
De início estranhei muito, porque não encontrava grande coisa nos motivos que levaram a personagem ao suicídio. Isso me fez querer parar de ler o livro, uma vez que a coisa mais importante (a empatia com a causa forte) não estava chegando até mim. Li várias resenhas do Skoob que retratavam bem o meu sentimento com esse livro até então e pensei em abandonar a leitura, mas acabei indo até o final (afinal o livro é curto).
Minhas primeiras impressões tinham sido:

1) Não consigo ter empatia por essa protagonista porque não acho que os motivos até agora foram grande coisa. São cruéis, mas são coisas que fazem parte da vida em convivência social;

2) Hannah meio que queria que alguém chegasse e a ajudasse, mas afastava qualquer um que tentasse. Isso me deixou muito frustrada mesmo, porque não é certo culpar alguém que tentou ajudar que não quis ser ajudado. Aquela cena na lanchonete, quando o garoto passou a mão nela contra sua vontade e ninguém ali fez nada me incomodou por alguns motivos: acredito que, quando uma mulher pede ajuda ela geralmente recebe, se tratando de algo do tipo, e Hannah deu a entender que deus os sinais (nada verbal, apenas olhares aflitos ao que parece) e ninguém agiu como ela esperava. Mas só que eu realmente gostaria que o autor tivesse dado um jeito de aprofundar mais nisso. Será que as pessoas ao redor realmente notaram e ignoraram o pedido de socorro? Pode ser que sim e essa seja a crítica, porém não é certo não analisar por todos os ângulos. Muitas vezes as outras pessoas apenas não notam, estão centradas em si mesmo, para se atentar a detalhes de quem não está pedindo socorro com todas as letras;

3) Ela mesma não ajudou alguém quando poderia, mas continua agindo como se fosse a grande vítima e isso, mais uma vez, é terrível.

Depois de ler toda a estória, ler ao extra do final do livro, e refletir bem, cheguei a algumas conclusões, respondendo às impressões iniciais:

1) Esse livro  tem como objetivo fazer o leitor refletir sobre o impacto que certas ações podem causar, como bullying e fofocas. Ok. Ainda acho que o que Hannah sofreu é quase nada, mesmo que eu saiba bem que na adolescência tudo tem proporções catastróficas. Os 13 Porquês tem a proposta de mostrar que, para uma pessoa que está sofrendo de depressão ou tendo um momento muito mau em sua vida geral, mesmo as coisas pequenas como provocações no ambiente escolar podem acionar um gatilho. Eu percebi isso ao decorrer da leitura uma vez que a personagem mesmo reconhece isso várias vezes, mas acho que é difícil engolir essa parte quando não há um grande aprofundamento real na personagem. Gostaria que tivesse sido abordado seus outros problemas de forma mais profunda, como a situação em sua casa e tudo mais. Se Hannah tivesse dado mais sobre si, mostrando que ela não era uma pessoa "comum", que seu psicológico estava abalado de verdade, essas pequenas coisas não teriam parecido tão fúteis. Porque a ideia aqui é de que, para quem está com o poço transbordando, uma simples palavra errada pode ser o fim. Por outro lado, ainda é uma reflexão válida, mesmo tendo pecado um pouco: não seja malvado com uma pessoa, principalmente com quem você não tem nenhuma afinidade e desconhece, você não sabe como ela pode se sentir e tudo mais. Sinceramente não vejo como tão horríveis alguns desses atos, mas talvez esteja aí o problema. De tanto fazerem parte do cotidiano, são banalizados;

2) Ainda acho que Hannah devia ter valorizado as poucas pessoas que fizeram o possível para salvá-la, mesmo não tendo ideia do quê exatamente ela estava passando. Continuo super frustrada, porém, lendo a entrevista com o autor ao final do livro, percebo que isso faz com que o leitor perceba exatamente isso - o erro da falta de comunicação - e resolva procurar e oferecer ajuda se precisar. O pensamento seria "estou vendo que a personagem escolheu o caminho errado e acabou como acabou, então vou tomar a atitude certa e ter esperança". Uma boa psicologia de aprender com os erros dos outros, talvez? Não concordo inteiramente, mas ás vezes digo que a melhor forma de conscientizar o público jovem é chocar bastante, então eu estou mais ou menos ganhando o que venho pedindo;

3) Com o desfecho interpretei que Hannah estava deprimida pela vida que estava levando, todas as piadas, boatos e exclusões, e ter se calado diante de coisas tão sérias foi o fim para ela. Acredito que ela decidiu desistir de tudo por culpa mesmo, porque estava  cobrando dos outros a ajuda que nem ela foi capaz de dar. Isso me fez sentir ainda mais estranha em relação ao livro todo, já que por aqui os treze motivos caem por terra. Para que então colocar tanta gente no meio, se tudo tem certos motivos apenas? Talvez ela queira dizer que se tudo não tivesse acontecido de início, as fofocas sobre sua pessoa, nada teria chegado ali. Se ela tivesse tido mais respeito das outras pessoas, se tivesse tido pessoas com quem contar (como ela esperava), ela teria agido mais firme e tomado decisões certas? Não sei se concordo com essa linha de raciocínio, se for o caso.

Então ao fim, captei as mensagens (para resumir) seguintes: Não seja malvado; Não tenha vergonha e peça (GRITE POR) ajuda; Se você estiver do outro lado, insista e ajude quem precisa (fique atento aos sinais de que alguém está gritando por dentro e, mesmo que a pessoa não queira, insista (?)); Valorize as pessoas que estão tentando te dar apoio; Faça o possível pela comunicação, isso evita muitas tragédias; Procure conscientizar sobre a importância de  tratar os pedidos de socorro com seriedade.
Ainda acho esse livro bem estranho, me sinto como se estivesse procurando desculpas para achar pontos positivos para ele, quando não deveria ser assim... É como se tudo tivesse sido apenas jogado de qualquer forma, querendo forçar uma ideia que deveria fluir. Acho que a execução que contém erros. Não é espetacular e admirável como pensei que seria, por causa de toda a febre em cima da estória, mas se você for analisar bem ele levanta alguns pontos importantes.

Avaliação:
★ ★ ☆ ☆ ☆